terça-feira, 3 de agosto de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Para todos aqueles que não se interessam.
Sobre quê?
Não sei.
Sobre todos os livros que não li.
E sobre todos os textos que não escrevi.
Um livro sobre palavras e pessoas penduradas, como roupa velha no estendal há espera de ir para a gaveta das memórias por arrumar.
Vou escrever um argumento para um policial, para um drama, para uma comédia e para uma tragédia.
Nunca mudam as personagens, são sempre as mesmas caras, podem trocar os nomes, mas a alma prende-se aos defeitos. Querem saber o final? Eu digo-vos, não é surpreendente. Todos se fodem no final e são felizes para sempre. Vai-te foder.
Vou ser feliz para sempre.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Amigos!
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade loucos, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Acho que nunca ninguem descreveu a minha definição de amigo tão bem!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Review + Fan Service
Sherlock Holmes. Tiro o meu chapéu de coco ao Guy Ritchie por este filme. O "grande mistério" não era assim grande mistério e a narrativa acabou por se desenrolar um bocado previsível e cliché. No entanto, adorei todo o ambiente vitoriano, cinzento e meio "steampunk" do imaginário do filme. A banda sonora também estava 'a altura desta re-invenção do clássico detective. No final, é um filme de aventuras bem servido com as doses certas dos ingredientes principais para um blockbuster natalício.
Faço um destaque especial para o Fan Service entre o Watson e Holmes, é quase óbvia a tensão sexual dois eternos parceiros neste filme. Discutem como um casal velho num autocarro em hora de ponta, o Holmes faz olhinhos de cão sempre que o Watson ameaça em deixá-lo, Holmes tenta sabotar o noivado do seu parceiro com a loiraça Mary. Pelos vistos o Guy Ritchie não foi o único a fazer par romântico entre estes dois cavalheiros : http://liquidfic.net/Holmes_Watson.html A imaginação dos fãs não tem limites e certamente que os responsáveis por este site lamberão o escroto ao Guy Ritchie (ex da Madonna informação fundamental para a compreensão do filme ou não).
Por último, mas não menos importante, saliento o facto que ir ao cinema hoje em dia tem se tornado cada vez mais frustrante. As pessoas ultrapassam nas filas, empurram, os baldes de pipocas são um roubo. E quando saímos do antro de brolhos que é um shopping ao fim de semana á tarde, encontramos outra cáfila á nossa espera dentro da sala cinema. Levantam-se, fazem comentários estúpidos em voz alta, comparam os personagens com orgãos genitais ou com a mãe/tia/prima/cadela do colega do lado. Também, quem me manda ver blockbusters natalícios? Há sacrifícios necessários e garanto que Avatar e Sherlock Holmes são dois deles.
Mas shoppings nas férias de Natal? = Ana com uma fita vermelha na cabeça e uma Kalashikov em cima do trono do Pai Natal (venham a mim as criancinhas). Isso é o que eu gostava de fazer.
"Isto foi o que inspirou o Dr. House e o Wilson" - comentário brilhante duma senhora atrás de mim, caso para dizer. ELEMENTAR MEU CARO WATSON.
"Ele tem cara de cona" Comentário de uma pita sobre o vilão que parece o Andy Garcia.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Natal e Ano Novo
O mês de Dezembro é o mês das resoluções de vida pré-fabricadas. Chega a época de Natal e fazemos lista de presentes para as pessoas mais importantes e para as pessoas não tão importantes mas que vão partilhar a mesma mesa e o mesmo bacalhau e por isso fica bem oferecer qualquer porcaria comprada no El Cort Inglés 'a última da hora. "Não te esqueças da prenda para a tua SOBRINHA!" grita o marido gordo e farfalhudo para a sua nervosa e igualmente gorda esposa que não tem mãos suficientes para agarrar as compras todas e as crianças que correm de um lado para o outro e esbarram contra as pessoas que tal, como a sua mãe, andam apressadas nessa obrigação materialista e gastronómica chamada Natal. "João! Olha por onde andas, não vês as pessoas?" Mas Joãozinho não quer saber, continua a sua demanda entre guinchos aleatórios e exigências infantis muito próprias desta época (todos nós a tivemos). É por estas e por outras, que o Natal irrita-me. E não vou com aquela conversa de membro pseudo-revolucionário do Bloco de Esquerda que o simbolismo Natalício tradicional perdeu-se no meio do capitalismo, consumismo e Coca-Cola. O odor a humanos apressados que se aglomeram nos shoppings e nas ruas com sacas e crianças aos berros, afecta-me o sistema de nervoso. Para além disso não gosto muito de Bacalhau.
Depois do Natal, começamos a fazer as contas 'a vida. Aos bolsos e a' consciência. Das 11:59 para a 00:00 o ano corre 'a nossa frente como aqueles flashback clichés de mortes dramáticas cinematográficas. Eu vejo o Ano Novo como o encerramento de um capítulo e o começo de outro. E como gosto de arrancar e estrear novas páginas, a mim, o Ano Novo já me diz mais qualquer coisa.
P.S - Tenho de fazer uma review do Sherlock Holmes do Guy Ritchie num próximo post!
domingo, 13 de dezembro de 2009
Social Review: Aliados Winter Club
Recomenda-se a todos os alpinistas sociais. Com uma excelente localização na Baixa do Porto (mesmo em frente a uma estação de metro), segurança de fatinho e paparazzis noite.pt, o Aliados Winter Club é perfeito para quem quer seguir uma carreira como a Filipa Castro. Nem sequer tem de se pagar nada para entrar num sítio cujo o hall de entrada contém fotos da Lili Caneças ao traveca mais in do Porto: Nanni.
A faixa etária do local é dos 50 anos para cima. Modelos pós-menopausa abanam as suas pernas cheias de varizes em saltos altos e micro vestidos vermelhos.
Seus gostos enrugados e desgastados pelo passar dos anos que tanto tentam ignorar, sua exagerada base e blush dos chineses brilham aos flashes dos fotógrafos e das luzes da discoteca.
No centro da pista, uma Avó Natal, estilo Cinha Jardim dança com um senhor de meia idade de gravatinha. Deixaram os filhos em casa, deixaram a novela, deixaram de fazer o jantar e deixaram as crianças na desgraçada da sogra. Tudo por um momento digno de estrela da Revista Caras. Num dos sofás, observamos um casal já de idade avançada a relembrar os tempos em que se conheceram no bailarico da Junta. Vão ali para se lembrar que um dia foram jovens sem ter de humilhar muito dentro de uma faixa etária morangos com açucar.
Não se paga nada, por isso, todas as donas de casa podem vestir a pele e o QI de uma socielite. Pode-se entrar de mochila e de um momento para o outro, transformar-se num John Travolta no filme Pulp Fiction.
Este sítio representa tudo o que o "Social" Nacional é. Sem classe, sem dinheiro e sem miolos, mas há quem queira ser wannabe dos wannabes. E pode ser no Aliados Winter Club.
O que foste para lá fazer Ana? Foi após um jantar de faculdade, por isso, imaginem, se ELES soubessem, seria imediatamente excomungada.
